Oficinas: corpo, canto e brincadeira
A Cia. Mundu Rodá mantém um conjunto de oficinas voltadas ao treinamento do ator e do bailarino, construídas a partir das danças tradicionais brasileiras. Não são cursos introdutórios sobre folclore, e sim laboratórios em que a tradição funciona como método de preparação técnica.
Treinamento técnico a partir das danças tradicionais
Neste workshop são trabalhados elementos selecionados de danças tradicionais brasileiras específicas, como o Cavalo Marinho, o Caboclinho, o Batuque Paulista, o Samba de Parelha, o Maracatu Rural e o Frevo, buscando destacar os princípios físicos que as fundamentam.
Esses elementos, sistematizados pela Cia. Mundu Rodá, permitem construir um treinamento técnico pessoal para atores e dançarinos. Além do estudo biomecânico dos passos, são abordadas as corporeidades que elas constroem e as qualidades de energia que despertam.
Estão entre os princípios destacados a transformação do peso em energia, o trabalho com diferentes níveis de atenção simultaneamente, a dinâmica das ações físicas no tempo e no espaço, impulsos como geradores de ações, presença cênica, ritmo, precisão e coordenação motora.
A lista inclui ainda a relação com o chão e com o ar, a voz em ação e o jogo. São noções tratadas como talento e que aqui aparecem como conteúdo treinável e verificável no ensaio.
Construção de partituras físicas
A oficina aborda caminhos para a construção de partituras físicas a partir de ações cotidianas, de exercícios de criação em sala e de materiais trazidos pelos próprios participantes.
Elaboradas no espaço e no tempo, essas partituras contribuem para a organização do trabalho pessoal do ator, o aprimoramento técnico, o estudo da presença cênica, a organicidade do movimento e a construção da cena.
A mesma partitura é explorada em diferentes dinâmicas, situações e qualidades de energia. O procedimento ensina que a sequência não é a cena: a cena é o que ela produz quando muda de velocidade, de peso ou de intenção.
Corpo musical em cena
Esta oficina aborda caminhos para elaborar estruturas musicais para a cena teatral, buscando a interação e a utilização do espaço, do corpo, da voz e de instrumentos convencionais e não convencionais.
Explora a potencialidade do corpo-musical em cena e as possibilidades de composições cênico-musicais coletivas, com canções tradicionais, improvisação de versos, jogos rítmicos e trabalho com ressonadores vocais.
| Oficina | Foco | O que o participante leva |
|---|---|---|
| Treinamento técnico | Princípios físicos de seis danças tradicionais | Rotina pessoal de treino |
| Partituras físicas | Ações cotidianas viram sequência fixa | Método para organizar a cena |
| Corpo musical | Corpo, voz e objetos como matéria sonora | Escuta e composição coletiva |
| Máscaras brasileiras | Figuras do Cavalo Marinho e comicidade | Jogo com máscara e crítica |
| Oficina de rabeca | Toques da Zona da Mata Pernambucana | Primeiros toques no instrumento |
Cortejo cênico musical
Explorando o teatro físico e a dança, além de estruturas musicais, toques de instrumentos, corporeidades e evoluções coreográficas de danças tradicionais brasileiras, o workshop mergulha nesses elementos e depois os utiliza para formar um cortejo cênico musical.
O foco está na musicalização do ator e da bailarina, na potencialização do corpo-musical em cena e no uso da arquitetura de espaços não convencionais. A rua e a praça entram como condição de trabalho, não como cenário.
Máscaras brasileiras: figuras do Cavalo Marinho
O Cavalo Marinho da Zona da Mata Norte de Pernambuco possui uma combinação básica de três elementos: música, teatro e dança. Cerca de 74 figuras mascaradas fazem parte da sua encenação, cada qual com sua corporeidade, música específica, loa, dança e desenvolvimento na cena.
A oficina proporciona um primeiro contato com esse universo e o estudo prático de algumas dessas figuras e suas máscaras, abordando a comicidade e a potencialidade de crítica histórica, social e política atuantes no brinquedo.
Cavalo Marinho e Maracatu Rural
Esta oficina contempla uma investigação dos elementos físicos, sonoros e energéticos presentes no Cavalo Marinho da Mata Norte de Pernambuco e no Maracatu Rural: as corporeidades das figuras, o pulso, o ritmo, a biomecânica dos passos, o rito e a celebração.
Esta oficina de corporeidades e sonoridades do Cavalo Marinho foi ministrada para a Cia. Antônio Nóbrega de Dança/SP em 2012.
Oficina de rabeca
A oficina proporciona um primeiro contato com o universo sonoro da rabeca, instrumento de arco usado em diversas manifestações populares brasileiras. Para iniciantes e iniciados, baseia-se no método desenvolvido por Alício Amaral a partir da convivência com mestres rabequeiros de diferentes Estados do Brasil.
O recorte é a pesquisa de campo sobre os toques de rabeca e rabequeiros da Zona da Mata Pernambucana. A oficina aborda exercícios e toques da rabeca presente no Cavalo Marinho, no Boi de Reis e no Forró Pé de Serra.
Preparação corporal e orientação cênica
Ao longo dos anos a Cia. Mundu Rodá vem colaborando artisticamente com diversos grupos e artistas, nacionais e internacionais, no campo da dança, da música e do teatro. Através de uma metodologia própria, atua em várias frentes.
- Preparação corporal para atores e bailarinos.
- Treinamento técnico e preparação musical.
- Orientação e provocação cênica.
- Direção de criação e direção de movimento.
- Criação de trilha sonora.
- Criação de coreografia.
Para quem procura formação, vale um critério prático: oficinas que trabalham princípios servem a qualquer intérprete, enquanto oficinas de repertório exigem disponibilidade para o jogo daquela brincadeira. O conjunto forma uma pedagogia que parte do corpo, passa pela música e chega à cena.
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