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Estudos e pesquisas
Núcleo Manjarra, Núcleo de Estudo UNESP e Cortejo de Figuras, além do registro de sete grupos tradicionais de Pernambuco com a Bolsa Vitae de Artes 2003.
Pesquisa como base da criação
O trabalho da companhia se apoia em uma pesquisa contínua das danças tradicionais brasileiras, feita em convívio com mestres e brincadores. Dessa pesquisa nasceram núcleos de estudo, um experimento cênico e o projeto que registrou sete grupos tradicionais da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Núcleo Manjarra
Criado em 2004, o Núcleo Manjarra — Boi Manjarra/SP surgiu do desejo de alguns artistas e educadores de aprofundar seus conhecimentos sobre as danças populares brasileiras. Sob a coordenação e direção artística de Juliana Pardo e Alício Amaral, o grupo busca uma identidade artística própria, referenciada na cultura popular tradicional.
A referência principal são os elementos constitutivos de manifestações como o Cavalo Marinho (PE) e o Boi de Reis (RN), além das experiências do grupo com a Festa do Divino Espírito Santo.
Núcleo de Estudo UNESP
O Núcleo de Estudo UNESP integra o programa do curso de extensão «O Trabalho do Ator/Bailarino a partir das Danças Tradicionais Brasileiras — Maracatu Rural e Cavalo Marinho», iniciado em 2013 pelo Instituto de Artes da UNESP, em São Paulo.
Coordenado por Alício Amaral e Juliana Pardo, o grupo investiga os diferentes elementos físicos e energéticos presentes na brincadeira tradicional do Maracatu Rural e do Cavalo Marinho da Zona da Mata Norte de Pernambuco, aplicados ao treinamento e à criação do ator, músico e bailarino na cena contemporânea.
Cortejo de Figuras
Criado em 2010, o experimento cênico-musical «Cortejo de Figuras» é um desdobramento das oficinas e montagens sobre a brincadeira do Cavalo Marinho, coordenado e dirigido por Alício Amaral e Juliana Pardo.
O trabalho parte de práticas criativas sobre máscaras e estruturas cênicas tradicionais e da investigação de figuras fora do contexto original da brincadeira.
Bolsa Vitae de Artes 2003
Em 2003 a companhia foi contemplada com a Bolsa Vitae de Artes, com o projeto «O Cavalo Marinho da Zona da Mata Norte de Pernambuco», na área de pesquisa histórica teatral.
Na ocasião, além do registro histórico de sete grupos tradicionais da região — em áudio, vídeo, texto e partituras musicais —, realizaram durante um ano, junto aos mestres e brincadores, oficinas de Cavalo Marinho em comunidades pernambucanas do interior do estado, com o objetivo de fortalecer e restabelecer partes das brincadeiras que não eram mais representadas.
- Registro em áudio dos toques e cantos dos grupos.
- Registro em vídeo das brincadeiras e dos mestres.
- Transcrição de textos e partituras musicais.
- Oficinas nas comunidades, com mestres e brincadores.
- Devolutiva do material registrado às comunidades participantes.
O que a pesquisa muda na cena
Pesquisar a brincadeira não é copiar seu formato: é entender por que cada figura se move daquele jeito, por que o toque muda de andamento e como o corpo responde ao que está em volta. Esse entendimento é o que permite levar o material para o palco sem transformá-lo em decoração.
É também o que sustenta a ética do trabalho: crédito aos mestres, retorno às comunidades e cuidado com o contexto de cada manifestação.