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Nossa história
Da pesquisa com mestres do Cavalo Marinho, em Pernambuco, ao repertório de oito obras: a trajetória da companhia desde 2000, com prêmios e projetos.
De onde vem a companhia
A Cia. Mundu Rodá originou-se do desejo de pensar a cena a partir não da reprodução das formas, mas dos princípios de pensamento das tradições cênicas brasileiras que, historicamente colocadas à margem, ensinaram a pensar a arte de um modo integrado à vida.
Ao longo de mais de duas décadas de trabalho continuado, a companhia participou de um movimento das artes brasileiras contemporâneas que se pensam para além dos padrões eurocêntricos de criação e de modos de produção.
Repertório
O repertório reúne obras criadas entre 2005 e 2020, cada uma ancorada em uma pesquisa específica de corpo, música e tradição popular.
| Ano | Obra | Pesquisa de base |
|---|---|---|
| 2005 | Sambada de Reis | Folias de Reis e samba rural |
| 2007 | Donzela Guerreira | Romance de tradição oral e questão de gênero |
| 2010 | Estrada | Corpo em deslocamento e canto tradicional |
| 2017 | Memórias da Rabeca | Toques de rabeca e memória dos mestres |
| 2018 | Show Rabeca Primeira Sonora | Álbum musical da companhia |
| 2018 | Figuras Inesperadas | Máscaras e figuras do Cavalo Marinho |
| 2019 | Vida de Cão, Coração de Herói | Teatro para crianças e comicidade popular |
| 2020 | Arigós — Bandeira, Espinha-de-Peixe, Cara-de-Gato | Culturas populares e memória |
Cavalo Marinho: a base do trabalho
Juliana Pardo e Alício Amaral viveram quatro anos (2000–2004) na Zona da Mata Norte de Pernambuco, em convívio com mestres e brincadores de Cavalo Marinho. Desde 2001 atuam como brincadores em diferentes grupos tradicionais; desde 2004 promovem intercâmbio artístico com mestres e brincadores, realizando atividades de formação e difusão do brinquedo em São Paulo e em municípios do interior paulista.
Desse convívio vieram os projetos de registro e de transmissão: as oficinas de Cavalo Marinho, o Núcleo Manjarra, o experimento Cortejo de Figuras e boa parte dos espetáculos do repertório.
Parcerias e reconhecimento
Desde 2013 a companhia é grupo brasileiro colaborador do ISTA — International School of Theatre Anthropology, dirigido por Eugenio Barba (Odin Teatret, Dinamarca), integrando a equipe de mestres e pesquisadores convidados ao lado de artistas de Índia, Taiwan, Bali, Grécia e Itália.
A Mundu Rodá também coordena e dirige o Grupo AZOUGUE — Laboratório de Experimentação Cênica, fruto dos três anos do curso de extensão «Corporeidades Brasileiras e o trabalho do Ator/Bailarino» no Instituto de Artes da UNESP.
Prêmios e projetos
Entre os reconhecimentos registrados na trajetória da companhia estão o Prêmio por Histórico de Realização em Teatro, do PROAC Expresso Lei Aldir Blanc nº 47/2020, o projeto «Mundu Rodá 20 anos: Criação e Pedagogia» e o Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, com o projeto «HIELIA — Manifesto das Margens e Outros Gritos».
O espetáculo infantil «Vida de Cão, Coração de Herói» foi premiado no 5º FESTKAOS em sete categorias: melhor espetáculo, texto, trilha sonora, iluminação, cenografia, ator e direção.
A companhia também realizou o projeto «20 anos Mundu Rodá», com apresentações gratuitas, online e com tradução em Libras dos espetáculos «Donzela Guerreira» e «Memórias da Rabeca», seguidas de conversas com convidados, além de oficinas online gratuitas.
Casa Mundu Rodá
Em São Paulo, a companhia mantém a Casa Mundu Rodá, espaço de ensaio, formação e convivência que recebeu programações do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo e do festival Palco Presente, entre outras atividades.
A casa é também o lugar onde o repertório é ensaiado e onde as oficinas acontecem — a parte menos visível e mais constante do trabalho da companhia.